quarta-feira, 25 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Appointments on a dance floor
A menina do último sábado sorria alucinadamente entre inúmeros copos de vodka e latas de energético. Exibia os quadris assimétricos e libertinos em cada ida ao bar e nos passos de alguma música batida. O cheiro do escapismo a direcionava a caminho da bebida e do aglomerado de pessoas que se enfileiravam em frente às garrafas de tequila. O olhar desorientado e confuso caçava lentamente a sua presa noturna. As suas pupilas dilatadas começaram a me encarar e me sorrir lisergicamente. A dicróica ressaltava o seu andar confuso em direção ao meu excesso de sobriedade. Os olhos pareciam mais conscientes que a boca que insistia em falar coisas sem pensar. Seus movimentos ficavam ainda mais espasmódicos e deliberados a cada palavra boba e infantil. A cada passo se embrenhava mais no pouco que restava de mim. Naqueles minutos eu já não era "mais meu". Apenas consentia e me deixava levar aos seus ímpetos etílicos. Ímpetos repletos de entrelinhas e de puro formalismo. Passava o tempo se entopindo de inumeras "doses de mim" com toda sua voracidade e leviandade. Levantou ao som do seu nome e da mentira de sua aparência escondida atrás de mais um copo de falso esquecimento. Depois se desfez como fumaça de cigarro.
Pra ouvir: Ceremony – New Order
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Constantes
Constante na matemática é um valor numérico que não se modifica independente de suas variáveis. Constante no cotidiano ordinário é aquela que causa dor, noites mal dormidas, dependência física e emocional. Constante é a grandeza que desloca a vida, modifica tudo que era certo e real. Constante é aquela que deixa destruição e sangue para trás. É a aquela que mantém a sua idéia fixa num relacionamento instável e inviável. É aquela que você procura em todas as outras meninas que passam por sua cama. É a responsável por todas as lágrimas, palavras desperdiçadas e pelos seus pedaços esparramados pelo chão. Mas ainda é a aquela que te faz sorrir com apenas um olhar perdido.
daqui: olhos certosquarta-feira, 9 de junho de 2010
sábado, 13 de março de 2010
Interlúdio
Três e meia da manhã e você continua a vomitar centenas de palavras que entram pelos meus ouvidos sem pedir licença. A minha vida para em função de suas dissílabas, monossílabas e polissílabas embriagadas. Eu tento procurar um espaço entre as suas pequenas pausas pra dizer as milhares de coisas que passam pela minha cabeça mas você nunca deixa, me interrompe novamente com o sorriso mais bonachão do mundo:
- Quer dançar?
- Quer dançar?
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Variável
Ela devia ter uns 26 anos, olhos pequenos, nariz com certo charme rústico, um andar um tanto quanto irregular e engraçado, pernas finas e sempre costumava falar no imperativo. Vestia quase sempre aquela mesma blusa verde com listras pretas ou aquela vinho do nosso primeiro encontro. Havia algo estranho na menina da blusa listrada, e eu me perguntava o tempo todo o que era, enquanto salivava por ela.
Talvez fosse a maneira como ela pegava em minha mão enquanto mudava as marchas do carro, ou os assuntos que ficavam criativos e mais interessantes quando saiam da boca dela ou até mesmo as músicas ruins que tornavam-se boas perto dela. Não sabia bem o que era mas ainda assim eu acreditava que havia algo errado com ela, afinal, o que uma menina tão interessante fazia com um cara estranho como eu.
Durante as poucas semanas em que ficamos juntos, pouco falamos um ao outro. Nosso relacionamento ficou em inúmeras situações restrito ao sexo. Sexo no estacionamento, no chão, no banheiro do bar, no parque e uma tentativa embaraçosa no cinema. Algumas das melhores trepadas da minha vida, seguidas de longos cochilos.
A intenção talvez fosse continuar a ser desconhecidos que eram próximos de alguma maneira. De certa forma, a gente era uma canção do Wilco. Intensa, experimental, repleta de altos e baixos e extremamente curta.
Rompemos aquilo que de alguma forma chamávamos de relacionamento numa sexta-feira, sem necessariamente romper. Terminamos exatamente como começamos. Um pra cá, outro pra lá e a sensação de que ainda havia algo errado.
Pra ouvir: Rilo Kiley – Does He Loves you?
Talvez fosse a maneira como ela pegava em minha mão enquanto mudava as marchas do carro, ou os assuntos que ficavam criativos e mais interessantes quando saiam da boca dela ou até mesmo as músicas ruins que tornavam-se boas perto dela. Não sabia bem o que era mas ainda assim eu acreditava que havia algo errado com ela, afinal, o que uma menina tão interessante fazia com um cara estranho como eu.
Durante as poucas semanas em que ficamos juntos, pouco falamos um ao outro. Nosso relacionamento ficou em inúmeras situações restrito ao sexo. Sexo no estacionamento, no chão, no banheiro do bar, no parque e uma tentativa embaraçosa no cinema. Algumas das melhores trepadas da minha vida, seguidas de longos cochilos.
A intenção talvez fosse continuar a ser desconhecidos que eram próximos de alguma maneira. De certa forma, a gente era uma canção do Wilco. Intensa, experimental, repleta de altos e baixos e extremamente curta.
Rompemos aquilo que de alguma forma chamávamos de relacionamento numa sexta-feira, sem necessariamente romper. Terminamos exatamente como começamos. Um pra cá, outro pra lá e a sensação de que ainda havia algo errado.
Pra ouvir: Rilo Kiley – Does He Loves you?
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