domingo, 7 de dezembro de 2008

C.L.I.C.H.Ê.

Sabe quando se é adolescente, e todos os sentimentos são tão intensos e vazios que acabam sendo histórias embaraçosas que se leva pra vida? Pois bem, em algum momento da vida adulta a gente acaba se encontrando em situações parecidas com essas, principalmente quando sua vida profissional, amorosa e tantas mais, estão em pleno momento de ebulição.
Eu me lembro quando eu tinha quinze anos e queria tanto que a minha adolescência acabasse. Eu já não mais agüentava a minha versão teen. Eu queria sair logo daquele ambiente de ensino médio, repleto de estereótipos malditos. Queria também ter a minha independência financeira, arrumar alguém que esquentasse os meus pés nas noites frias, ter alguém que ouvisse as minhas bobagens e fizesse cara de “te entendo rapaz”. O que hoje seria cômico se não fosse perturbador, é que quase 10 anos depois, eu me encontro na mesma situação. Apenas com um pouco mais de barba.
A Legião Urbana tem uma música que fala sobre isso. O Teatro dos Vampiros, uma das minhas preferidas. Tem aquela parte: “Voltamos a viver, como a dez anos atrás. E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas”. Enfim amigo, eu me encontro nessa mesma situação, procurando emprego, perdendo amigos como uma criança perde seus dentes de leite e tendo uma profusão de sentimentos inanimados.
Há exatos onze meses que eu procuro emprego. Já tô cansado de sair por ai com meu currículo debaixo do braço, quase que implorando por uma oportunidade. E olha que tô no auge da minha juventude, e isso é o que mais me perturba. Se hoje que eu ainda ostento uma boa aparência e tenho um currículo que ainda me diferencia de uma boa parte da população, eu não consigo arrumar emprego, o que será de mim aos 40 anos.
A minha tão esperada independência financeira está longe de ser um fato. Por enquanto eu ainda continuo dependendo da grana do Seu José pra quase tudo. Até pra comprar o jornal pra olhar os anúncios.
É um pouco incômodo estar desempregado. Apesar de que algumas pessoas dizem que a minha profissão é ser estudante, eu não consigo lidar com isso. Pô, meu curso não exige tanto de mim a ponto de não precisar trabalhar. Ele exige até menos do que deveria. As coisas ainda pioram quando chegam as férias.
Sem a faculdade pra ter ocupar, a vida fica restrita à acordar quando o Jornal Hoje começa e dormir quando termina o Corujão na Globo. E nesse meio tempo, é preciso arrumar coisas que te ocupem, além de sair procurando vagas de empregos nas cidades circunvizinhas. E arrumar algo pra se fazer em uma cidadezinha pequena é ainda mais complicado do que arrumar um emprego. Geralmente as coisas que são oferecidas para ociosos são feitas e ocupadas por adolescentes. E não quaisquer adolescentes. Aqueles bem estereotipados. O tipo bem chato de se dividir espaço. O que resta é ir à casa de um amigo pra papear.
Entretanto, os meus bons amigos trabalham. Todos têm uma ocupação para o seu dia-a-dia. E aqueles que não possuem, moram um pouco longe. Longe até demais. E os outros, deixaram de ser meus amigos em alguma das esquinas da vida. Sem amigos por perto e sem emprego, essa é a minha atual situação.
Situação que não só é mais gritante, porque no quesito vida amorosa as coisas andam bem. Eu ando um pouco mais animado em relação a esse sentimento tão puro e arrebatador. Tudo isso devido, a uma pessoinha que stolen my fucking heart. E ela sabe que eu tô falando dela.
Os únicos momentos interessantes que esta situação "desemprego maldito' proporciona, são as cenas embaraçosas em balcões de financeiras, o olhar de quem me vê na fila lendo jornal e sabe que mais uma vez emprego não encontrei, ou momentos inusitados em entrevistas com peruas a la Sarah Paulin, que sempre rendem boas histórias.
Infelizmente, eu ainda continuo preso à mesmice dos quinze anos. Continuo rodeado de estereótipos ambulantes (agora os do ensino superior), esperando a independência financeira e as pessoas ainda não compreendem as minhas palavras confusas. Dessa vez, eu quero que a vida adulta acabe logo. Já não aguento a minha versão de adulto-tentando-ser-responsável.
Voltar a ter quinze anos não é nem um pouco interessante, aliás, pelo contrário, ter quinze anos novamente é prejudicial ao pouco que resta da minha sanidade mental.
E por hoje é só pe-pe-pessoal...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Soda pop

O mundinho pop tem colaborado para a salivação geral nessas últimas semanas. Algumas imagens de novas temporadas de séries aclamadas, de filmes aguardados e novos cds tão aguardados quanto, começaram a pipocar pela internet.
Eu posto aqui algumas das mais interessantes e aquelas que mais aumentaram a minha curiosidade.

Pôster promocional da sétima temporada de 24 horas:

Pôster promocional da quinta temporada de Lost:

A capa do novo cd do Franz Ferdinand:



Um dos pôsters de Star Trek:


E uma das partes do pôster promocional de The Spirit:


Eu sou fascinado pela arte em pôsteres e capas de cds. Geralmente me fascinam mais do que o produto vendido.

domingo, 23 de novembro de 2008

Dois barcos

-Então acabou mesmo?
-Acho que sim.
-Isso te faz mais feliz?
-Feliz não, diferente.
-Como assim?
-Como se eu estivesse fazendo o certo pra mim e pra você. Eu tentando viver no meu canto e você no seu.
-E o que eu penso não conta?
-Conta, mas não vai mudar nada do que eu já decidi.
-Por que? Você já tem outro?
-Por que você insiste tanto nisso? Por que quer saber tanto a verdade?
-Porque eu preciso saber o que aconteceu. Eu preciso saber por que eu me tornei indiferente pra você, por que você deixou de me amar. Você me deve isso pelo menos.
-Mas eu não deixei de te amar.
-Então não vá.
-Eu quero ir, vai ser melhor pra nós dois.
-Vai ser melhor pra mim? Como? Quebrar o meu coração e me deixar aqui, sozinho, choramingando? Essa é a sua idéia de melhor pra mim?
-Eu sei que eu to sendo egoísta, mas você vai me esquecer logo. Você é inteligente, logo arruma alguém.
-Eu não quero alguém, eu quero você.
-Mas eu não te quero mais.
(porta fechando)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Coelhos Assustados


Eu ainda não enjoei de ouvir Frightened Rabbit. Acredito que seja a banda que eu mais tenho ouvido nos últimos meses (eu acredito e o meu Last Fm confirma).
São poucas as bandas do chamado rock alternativo que conseguem se desvencilhar da mesmice que impregna o gênero. E os Rabbits são uma dessas poucas. Os cds da banda, principalmente o mais recente, possuem personalidade forte e muitas vezes imponente.
A sonoridade é ao mesmo tempo tão forte e melancólica, que torna-se viciante para aqueles com bons ouvidos. O sotaque de Glasgow também ajuda (por falar Glasgow, às vezes eu me pergunto o que será que tem na água de lá pra sair tantas bandas boas. Franz Ferdinand, Belle & Sebastian e agora o Rabbits só pra citar algumas).
As poucas informações que eu achei, dizem que eles possuem influências do The Shins, que outrora já apareceu por aqui, e do Arcade Fire. Mas sei lá, não achei tão perceptível. Os Rabbits possuem músicas mais grudentas, intensas e criativas.
A primeira música do mais recente cd (Midnight Organ Fight), intitulada The Modern Leper, é tão boa que já garante o cd. Seguida de canções tão boas quanto, com destaque pra I Feel Better e Fast Blood.
Ah, eles tem um clipe todo bonitinho pra "Head Rolls Off" com crianças de jardim da infância:

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Aquele sobre o Sr. José

Dias doentes sempre foram sinônimos de semana de filme para mim. Aliás, são os únicos dias que eu sento em frente à tv pra ver os grandes lançamentos do verão passado. E seguindo essa lógica, essa semana, vivendo o restinho da minha crise labiríntica, eu aluguei o Sangue Negro. Um filme que há muito eu tava a fim de ver.
Sobre o filme, eu posso ficar horas falando do que achei. Como já deu pra perceber, eu padeço do mal de pseudocrítico. Pra encurtar, eu só vou dizer que é um senhor filme. Eu que costumo gostar de todos os trabalhos do Paul Thomas Anderson, já imaginava o quanto esse seria bom.
Mas o que o me chamou a atenção no filme, e o motivo de eu estar escrevendo, é a relação entre a personagem principal, Daniel, o homem do petróleo e de seu filho. De alguma forma, me fez lembrar o meu relacionamento com o meu pai. Não que meu pai seja um cara megalomaníaco a ponto de me renegar em algum momento da vida, pelo contrário, meu pai apesar de ser um cara durão, é a personificação de um pai de família à moda antiga.
Meu pai é um cara reservado, de poucas palavras. Ele é todo brincalhão, sempre fazendo comentários repletos de palavrões sobre tudo. Mas ele mantém um relacionamento diferente com os filhos. Ele não deixa de ser um pai brincalhão, mas com o passar dos anos, o relacionamento fica restrito a apenas olhares e sinais.
No filme, o pai e filho têm um relacionamento ótimo enquanto este é criança. Assim que o menino cresce ele e o pai começam a se distanciar. É mais ou menos o que aconteceu comigo. Nos últimos vinte anos eu conheci diferentes caras do meu pai.
Eu costumo dividir meu relacionamento com ele em quatro fases: dos 0 aos 6 em que ele extremamente brincalhão e presente; dos 7 aos 11, um pouco mais sério e bem mais ausente; dos 12 aos 18, relacionamento sem troca de palavras e olhares e ausência total; e dos 19 até os dias de hoje, em que a gente pelo menos consegue trocar algumas palavras.
Quando eu falo de relacionamento pai e filho, não estou me referindo aquele clichê de propagando do Itaú, tô falando de um sentimento de amizade entre nós, assim como existe com as mães. Em alguns momentos, eu e meu pai éramos nada um do outro. A gente nem se notava.
É claro que o fato de eu ver o meu pai somente aos fins de semana ajudou muito pra manter . E acredito que isso colaborou para que em certos momentos da vida eu exigisse internamente que ele fosse parecido com a minha mãe, que diversas vezes exerceu o papel de pai muito bem.
Outra coisa que colaborou para esse afastamento mútuo, é que nos não temos nenhum interesse em comum. Nada mesmo. Ele tem interesse por mecânica e coisas desse tipo. Eu nunca me interessei pra saber como montava e desmontava um caminhão.
Além disso, ele consegue ser o cara mais fechado e tímido que eu conheço. E como eu padeço desse mal, eu sei como é difícil pra manter amizade ou qualquer coisa com alguém. É algo parecido com aquela história de que quando pai e filho são tão parecidos, eles sempre se desentendem.
Eu sou bem parecido com meu pai. Eu prefiro ouvir a falar, evito ter muito contato com as pessoas. Não sei demonstrar meus sentimentos. Porém, como fui criado pela minha mãe na maior parte do tempo e integralmente na minha adolescência, eu tenho um diferencial. Eu tenho pouco desse lado excessivamente emocional dela, porém, internalizado.
Até hoje, os dois Josés tem alguns assuntos que fogem da nossa pauta, é isso que me incomodava. Meu pai muitas vezes, é um estranho pra mim. É uma página que eu estou aprendendo a ler. Eu aprendi a interpreta-lo quando entendi que esse é o jeito do meu pai de gostar das pessoas. É a maneira como ele foi criado. Meu pai é um típico homem do velho testamento, rústico, calado. Exatamente como era o pai dele. Exatamente como eu sou, apenas um pouco alterado pelo fator minha mãe.
Apesar de hoje ter esse relacionamento de amizade com o meu pai, existe uma certa estranheza entre nós. Eu percebo que ele tem muita vergonha de pedir alguma coisa pra mim, assim como eu tenho de perguntar algo pra ele. Minha mãe até hoje agradece a São Judas pelo nosso começo de amizade. E isso é bacana, perceber que apesar de todos esses anos de indiferenças, eu não ganhei um pai, eu ganhei um bom amigo.

senhores, essa é a minha foto preferida

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Fikadika



-O que você está ouvindo?
-The Shins. Conhece?
-Não.
-Você precisa ouvir essa música, vai mudar a sua vida.


Tá aí a música que segundo o filme vai mudar a sua vida. A banda, The Shins nem é tão novidade, nem tudo isso pra ser chamada de a banda que vai mudar a vida de alguém (a não ser a do Zach Braff). Assim como o Garden State, o filme que me apresentou a banda (e essa música bonitinha do vídeo acim) há alguns anos.
De qualquer forma, fica ai a dica de uma boa banda estadunidense (que por algum motivo eu não paro de ouvir na últimas semanas) e de um filme bem interessante repleto daqueles clichês que todo mundo adora.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Pé de cachimbo

É domingo. Finalzinho de domingo. Eu não tenho muito o que fazer a não ser reclamar dos efeitos colaterais dos antialérgicos que eu tenho ingerido nos últimos dias. Sonolência, inquietação, confusão e irritação. Esses efeitos são os responsáveis por esse meu desânimo dominical.
Sendo assim, já que eu não posso me concentrar em nenhuma atividade que envolva o meu raciocínio lógico, não há nada melhor pra se fazer hoje do que ficar o dia todo mortificado no sofá, acompanhado de uma maratona de alguns seriados que ando a assistir com gosto: Heroes, Pushing Daisies e House. Receita ideal para esse dia odioso.
Meus desânimos dominicais não são apenas causado pelo uso excesivo de medicamentos. O fato é que eu geralmente não gosto de domingos, nunca gostei. É o dia (sempre foi) que eu prefiro ficar zombificado em casa, sem fazer, falar, gesticular nada. Não tenho saco pra quem ainda tá animado porque o fim de semana não acabou. Não tenho saco pra quem anda com aquele sorriso típico de domingo pós-missa estampado no rosto.
Domingo é um dia bem estressante aqui em casa desde os meus bons tempos de moleque. É o dia em que meu pai vai embora (viajar acho que seria uma palavra melhor). É o dia em que a minha mãe está desesperada com a bagunça da casa, com as coisas do meu pai que ela precisa arrumar, com a segunda que está chegando. É o dia em que a família toda se encontra em casa: sobrinhos, irmã, cunhado, cachorro da irmã, avós.
As crianças gritam, a minha irmã fala alto, meu cunhado resmunga, minha mãe se embravece, o meu pai aumenta o volume da tv e o cachorro late. Muito barulho, muita gente falando ao mesmo tempo. Às vezes me fazem lembrar uma cena de algum filme italiano dos anos 50.
Talvez pelo fato de seu ser muito calado, essa profusão de sons caóticos me irrita um pouco. E como o meu papel social é reclamar de tudo, passo o dia todo resmungando sobre a falta de privacidade e da poluição sonora, e a única resposta que eu recebo é o olhar da minha mãe de: “O que eu não consigo entender como é que um filho meu é tão diferente assim de mim”.
A razão de toda essa liberdade sonora, visual e sei lá mais o que por parte dos meus pais, é devido ao fato de que eles assumiram de vez o papel de anfitriões de reuniões familiares. E de certa forma, eles sentem essa necessidade de reunir todos enquanto tá tudo certo, a partir do momento que no último ano o ceifador sinistro tem rondado a família. Vendo por esse lado, eu até consigo achar graça dos meus domingos. É bacana sentar a mesa com mais de duas pessoas (geralmente eu almoço sozinho no restante da semana, talvez até por isso eu tenha criado um meio solitário de vida). Mas de qualquer jeito, esse climão de "ceia de natal" me deprime. E se eu to deprimido, eu reclamo. E esse é o meu papel. Reclamar de tudo, até das coisas que eu gosto. Eu sou oficialmente o velho resmungão da casa.

Notas de rodapé:
- Pushing Daisies é a melhor série do mundo ever. Merece um tópico futuro somente para ela
- Eu não sou hipocondríaco, nem uma pessoa que ta sempre doente (isso tem um nome que eu não me lembro agora).